Depois de registrar deflação por seis meses consecutivos, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) voltou a ficar positivo em setembro, com alta de 0,42%. Houve avanço nos indicadores de preços do atacado, varejo e construção.
A reversão de trajetória já era esperada pelo mercado financeiro. De acordo com a mais recente pesquisa Focus, elaborada pelo Banco Central (BC) junto a cerca de cem instituições financeiras, a projeção dos analistas para o IGP-M deste mês era de inflação de 0,40%.
O indicador, usado na correção de tarifas de energia e de boa parte dos aluguéis, ainda soma deflação de 1,61% no acumulado do ano e de 0,40% nos 12 meses até setembro. Em agosto, a variação do índice foi negativa em 0,36%.
Em setembro, o Índice de Preços ao Atacado (IPA), que representa 60% do índice geral, subiu 0,53%, contra queda de 0,61% do mês anterior. Os produtos agrícolas ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,01%, e os produtos industriais avançaram 0,69%. Em agosto, apuraram queda de 1,23% e 0,41%, nesta ordem.
Dos três estágios de produção compreendidos pelo IPA, apenas Matérias-Primas Brutas continuaram com taxa negativa, caindo 0,73%. Os Bens Finais avançaram 1,11%, puxados pela alta de alimentos processados. Os Bens Intermediários avançaram 0,78%, com destaque para o aumento de preços no subgrupo materiais e componentes para a manufatura.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, subiu 0,28%, acentuando a tendência apurada um mês antes, quando aumentou 0,16%. Influenciaram nesta aceleração o comportamento dos grupos Alimentação e Despesas Diversas. O primeiro passou de estabilidade em agosto para alta de 0,57% em setembro, pressionado pelos aumentos de frutas, verduras e carnes. Já Despesas Diversas passaram de deflação de 0,10% em agosto para elevação de 0,50% em setembro.
O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), representativo de 10% do IGP-M, avançou 0,07% em setembro, após ligeira inflação de 0,01% em agosto. Materiais e Equipamentos recuaram 0,02% e Serviços aumentaram 0,38%. O índice que capta o custo da mão-de-obra apresentou acréscimo marginal de 0,02%.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. Problemas no site da FGV, onde a instituição apresenta os dados, atrasaram a divulgação do indicador nesta manhã.
Fonte: Valor Econômico